10 de Setembro – Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio

10 de Setembro – Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio

De acordo com a OMS, a cada 40 segundos uma pessoa se suicida no mundo. A organização aponta, ainda, que o suicídio é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Em seu relatório também reporta que 79% dos casos de autoextermínio ocorre em países de baixa renda. Importante ressaltar, que para cada suicídio consumado há a expectativa de 20 tentativas.

No Brasil a taxa de suicídio foi de 5,8 por 100.000 habitantes no ano 2012, sendo apontado no 8º lugar do ranking entre os países com relação ao número absoluto das mortes por suicídio. Em recente pesquisa realizada, Marcolan & Silva em análise de uma série histórica, compreendendo os anos de 1996 a 2016, concluíram que houve um aumento de 29,4% na taxa de mortalidade por suicídio no Brasil, de 4,29 para 5,55 por 100.000 habitantes.

Embora as mulheres apresentem maior tentativa de suicídio, os homens são mais eficazes no pleito. Assim, quando comparada por gênero a taxa de mortalidade por suicídio em homens é quatro vezes maior do que as taxas de mortalidade por suicídio em mulheres. Não obstante, o dano perpassa a pessoa que atentou contra si mesma, uma vez que familiares e pessoas do círculo relacional mais próximo são devastados por sofrimento diante de tais ocorrências, havendo-se ocorrido o óbito ou não.

As causas que levam ao suicídio são multifatoriais. Albuquerque et al relata que “as situações de vulnerabilidade que implicam o risco de suicídio referem-se a traumas; abuso; dor crônica; transtornos mentais; história familiar de suicídio; tentativa anterior; estigma frente ao comportamento de busca de ajuda; e ainda, fatores de risco associados aos sistemas de saúde, tais como barreiras no acesso que podem ser retroalimentadas pelo estigma, evidenciando problemas das instituições de saúde, tanto técnicos quanto éticos”.

Em situações de suicídio a dor na alma alcança tamanha magnitude que se torna insuportável para o aparelho psíquico. Um caos que desencadeia o comportamento de cessar a dor com o ato contra a própria vida. Dentre os sofrimentos psíquicos que levam ao suicídio é importante considerar também os surtos psicóticos, o uso de substâncias psicoativas e outros quadros graves.

Frases como “vou desaparecer”; “vou deixar vocês em paz”; “eu queria dormir e nunca mais acordar”; “é inútil tentar fazer algo mudar, só quero me matar”; são algumas expressões que pode denotar um pedido de ajuda.

O Ministério da Saúde recomenda as seguintes intervenções para ajudar uma pessoa com ideação suicida:

  • Encontre um momento apropriado e um lugar calmo para falar sobre suicídio com essa pessoa. Deixe-a saber que você está lá para ouvir, ouça-a com a mente aberta e ofereça seu apoio.
  • Incentive a pessoa a procurar ajuda de profissionais de serviços de saúde, de saúde mental, de emergência ou apoio em algum serviço público. Ofereça-se para acompanhá-la a um atendimento.
  • Se você acha que essa pessoa está em perigo imediato, não a deixe sozinha. Procure ajuda de profissionais de serviços de saúde, de emergência e entre em contato com alguém de confiança, indicado pela própria pessoa.
  • Se a pessoa com quem você está preocupado(a) vive com você, assegure-se de que ele(a) não tenha acesso a meios para provocar a própria morte (por exemplo, pesticidas, armas de fogo ou medicamentos) em casa.
  • Fique em contato para acompanhar como a pessoa está passando e o que está fazendo.

A ajuda para uma pessoa que esteja com ideação suicida pode ser encontrada gratuitamente no CVV – Centro de Valorização da Vida – que oferece atendimento sob total sigilo, por telefone, e-mail, chat e voip 24 horas todos os dias. O telefone do CVV é 188, a partir de qualquer linha telefônica fixa ou celular. Também é possível acessar www.cvv.org.br para chat, Skype, e-mail.

Por fim, percebemos que cada vez mais as pessoas têm baixa tolerância à frustração e alto nível de exigência nas mais diversas áreas da vida. Um sentimento de incompletude e incompetência tem tomado muitas pessoas nas mais diversas faixas etárias, portanto é fundamental que cada um de nós possamos nos atentar para o sofrimento de quem esteja ao nosso redor e, observados os sintomas, possamos oferecer apoio para evitar que o suicídio se torne um fenômeno crescente.

Gilmar Barros – Psicólogo do Maxilabor e Especialista em Dependência Química pela UNIFESP

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Gisela Vendramini

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